sexta-feira, 21 de agosto de 2020

BAÚ DA BOLA

Para os desportistas mais novos, este foi um dos melhores pontas-esquerdas e depois meio campista que atuou no nosso futebol nos anos 60. Trata-se do marapaniense de Maú, cujo nome verdadeiro é Raimundo Fernandes da Silva e que aqui ficou conhecido como o craque Pipio. Antes de bater com os costados em terras izabelenses, ele atuou em nossa capital pelo Agronômico do Norte (amador), Grêmio Desportivo Combatentes e Yamada Clube que disputavam o Campeonato Profissional Paraense e, que sempre "aprontavam" contra os grandes de Belém. Pipio por aqui chegou por volta de 62 onde constituiu família. Logo ao chegar apresentou-se no Abreuzão para treinamentos e logo entrou de cara na equipe, pois o clube necessitava de um ponteiro-canhoto, posição onde atuou por algum tempo. Mas tarde passou a praticar seu excelente futebol na meia cancha do Frangão ao lado do saudoso Osvaldino, constituindo-se um dos melhores setores de armação do clube por vários anos. Pipio tinha como características, a precisão do passe, a armação de jogadas, a cadência e serenidade no trato com a bola e uma excelente disciplina. Depois de várias atuações pelo nosso querido Vermelhão da Estrada, com muitos torneios e campeonatos vencidos, ele era relacionado entre aqueles que defenderiam a primeira Seleção Municipal em 1964, quando a liga local denominava-se ainda LAI (Liga Atlética Izabelense). Foi peça fundamental quando naquele ano nosso selecionado eliminou concorrentes de peso como Soure e Barcarena e ainda chegou às Quartas de Final. Em seguida continuou no Vermelhão da Estrada, conquistando vários campeonatos locais. - inclusive ele fora figura de destaque na conquista do primeiro Torneio Interclubes, realizado pela então FPD-Federação Paraense de Desportos, denominado "Torneio Luiz Lavareda Reis", sendo o primeiro título intermunicipal de futebol para Sta. Izabel. Pipio ainda atuou no Iza até por volta de 1968, quando aposentou as chuteiras e pouco tempo depois voltava para sua terra natal, Maú, onde vive de um comércio, e lá estive há cerca de 8 anos atrás levando-lhe meu abraço e um exemplar do livro " Izabelense-92 Anos" de minha autoria e também quando tive a satisfação de vê-lo bem, com saúde - e na naquela oportunidade conversamos bastante sobre nossas atuações no futebol de nossa terra. 

   São portanto esses detalhes que nos fazem lembrar com muitas saudades, daquele tempo onde se praticava o futebol amador, onde explorávamos o melhor do nosso vigor físico, derramando suor, cuja recompensa era o grito e o aplauso da galera, o abraço do companheiro e a certeza do dever cumprido.

   Continuo dizendo: é uma pena ver o nosso Vermelhão da Estrada, ainda sem conseguir se organizar enquanto uma grande agremiação esportiva, apesar dos seus já quase seus 100 anos de glórias e inúmeros triunfos , não possuindo sequer uma sede para que nela estejam registradas todas as façanhas que vários atletas proporcionaram ao longo do tempo a este maravilhoso Clube, com fotos e documentos vários, e onde se possa reunir com alegria o passado, o presente e o futuro. 

   Aliás todo clube que se preza faz assim.

                                                                                                                                         -Orlando Lino

                                                                                                                                

sábado, 20 de junho de 2020

BREVE HISTÓRIA DE STA. IZABEL DO PARÁ

       
     
     Em março de 1616 o Varadouro dos Índios Tupinambás já era conhecido pois o alferes Pedro Teixeira por ali viajou com o propósito de levar ao Cap.-Mor do Maranhão, Alexandre de Moura, e este, até ao Governador Geral do Brasil, Gaspar de Souza, a notícia da fundação do povoado de Nossa Senhora de Belém, por Francisco Caldeira Castelo Branco, em janeiro daquele ano. Este caminho criado pelos índios da região, com mais de 200 Km de extensão ligava Belém às aldeias dos cuanãs e tapuitaperas (região onde se encontra hoje a cidade de Alcântara no Maranhão) e daí à capital São Luis. Tratava-se de uma vereda de difícil acesso, por uma mata fechada, vários rios e igarapés a transpor, o perigo dos animais selvagens, além dos índios arredios e pouco amistosos com os brancos.Na época a região também era entrecortada por inúmeros outras veredas que interligavam várias aldeias como dos caetés, putuangas e tupinas. 
    Seis anos depois (1622), o 7º  Cap. do Grão Pará, Bento Maciel Parente, encarregou o mesmo alferes Pedro Teixeira, para executar a primeira roçagem de alargamento no referido varadouro afim de torná-lo mais transitável servindo de interligação entre as capitais de Belém e São Luis.
    Após mais de dois séculos, em 1848, o Governo Imperial criava uma lei que visava a implantação de núcleos agrícolas, bem como, a introdução de colonos emigrantes na Região Nordeste do Pará afim de povoá-la e  desenvolvê-la. Fora então contratado o agrimensor prático, Cap. José Valentim Ferreira para realizar nova limpeza no varadouro também conhecido como "de Bragança" ou ainda Caminho do Maranhão, quando este profissional realizou outros serviços como roçagem e construção de pontes.
    Vinte e cinco anos depois, em 1873, o Ministério da Agricultura ordenava a criação do primeiro núcleo agrícola
na Província do Grão-Pará situado à cerca de 25 Km de Belém, hoje o município de Benevides. Fora contratada uma empresa de engenharia para executar os serviços, que subempreitou com o Cap. Valentim Ferreira, velho conhecedor da região, para medição da área e divisões de lotes. Valentim trouxe consigo sua companheira Izabel e vários trabalhadores braçais e no mesmo ano consegui demarcar 170 lotes, atingindo a 4ª Travessa denominada também de Uruburetama, que hoje serve de divisa entre o nosso município e o de Benevides. Em seguida foram demarcadas mais quatro travessas, atingindo-se à 8ª , denominada Mucuripe ( hoje conhecida como João Novo).
Como estratégia do projeto, deveriam ser povoados os locais onde existissem cursos d`água para comunicação e escoamento de toda a produção da referida colônia. Então Valentim escolheu a 6ª Travessa, denominada de Aratanha , onde estavam contidos os lotes 73, 74,75 e 76 e também os caudalosos igarapés do Prata e São Francisco. Acrescente-se que os núcleos agrícolas Ferreira Pena e Araripe que deram origem ao distrito de Americano, foram criados entre 1885 e 1889.
   Enquanto Valentim se voltava à labuta diária na densa floresta, Izabel se dedicava à lida doméstica servindo aos trabalhadores em uma pequena casa de pasto (restaurante) ou tratando-os de lesões e ferimentos causados em acidentes de trabalho e doenças como malária e outras enfermidades, apenas com ervas e raízes da região (meizinhas) e seus pequenos conhecimentos de primeiros socorros.
   Em 1875 assumia o governo da Província do Grão-Pará, o Dr. Francisco Maria Correia de Sá e Benevides e uma de suas principais metas era dar sequência aos trabalhos na aludida área colonial. Dentro de cinco meses foram alocados ali 180 emigrantes estrangeiros de nacionalidades: francesa,italiana, alemã, espanhola, belga etc... porém os resultados foram desanimadores, pois muitos não resistiram a luta em uma região até então inóspita e ainda selvagem, abandonaram seus lotes e passaram a residir na capital Belém. Mesmo assim muitos deixaram descendentes na região.
   Dois anos depois o governo da Província,José Joaquim do Carmo, em convênio firmado com a Coroa, conseguiu introduzir 800 retirantes nordestinos da seca de 1877, e que aqui renovaram a esperança de nova vida. No ano seguinte chegavam mais 12 500 emigrantes todos ainda sob a coordenação de Valentim José Ferreira, no mesmo período foram realizados grandes melhoramentos na colônia como: abertura de estradas, derrubada de matas, construções de pontilhões e barracões, uma enfermaria dentre outras melhorias.
   Conta-nos porém a história que Valentim a partir do ano de 1877 não foi mais contratado para executar serviços na Colônia Nossa Senhora de Benevides por motivos políticos, uma vez dispensado ,passou a trabalhar na EFB-Estrada de Ferro de Bragança, ora como encarregado,ora como empreiteiro, vindo a falecer pouco tempo depois. Quanto a sua companheira e heroína Izabel, teria vivido até por volta de 1894, com os parcos recursos do pequeno restaurante no mesmo local onde ajudou seu amado Valentim fundar o nosso município. 
   O nosso emérito historiador Nestor Ferreira, ainda chegou a sugerir a construção de um monumento em homenagem a este insigne casal, na Av. Matta Bacelar, bem em frente à Pass. Darlindo Correia (antigo Juruninha) e justamente na rua onde passava o Varadouro dos Índios Tupinambás. 
    Em 1881 a colônia sentiu um grande abalo, pois com a encampação da estradas de ferro Sobral-Baturité no Ceará, bem como, a abundância de chuvas no nordeste, levou cerca de um terço da população de agricultores a voltar às suas origens, em função inclusive de grandes oportunidades de emprego, levando o núcleo colonial a ser temporariamente desativado.
    Em 1885 a Estrada de Ferro de Bragança alcançava o então povoado de Sta. Izabel, porém os poucos moradores desmotivados, não demonstraram muita alegria para festejar tão importante acontecimento na região.
    Nova seca no nordeste entre 1888 e 1889 obrigou cerca de 3 840 retirantes a deixar suas terras e migrarem para o Pará, quando todos foram conduzidos à Colônia Nossa Senhora de Benevides que experimentou a partir dali um significativo progresso em função dos novos agricultores, mais experientes, já não plantavam apenas mandioca, arroz e milho, mas o feijão, o algodão e outras culturas.
    Sta. Izabel enquanto Vila também estava inserida neste desenvolvimento, inclusive expandindo seu urbanismo com abertura de algumas novas ruas, possuía 30 estabelecimentos comerciais,14 engenhos e 5 serrarias a vapor. Por este motivo em 1934, foi elevada à condição de município, através de um Decreto do eminente Governador do Estado, Joaquim Cardoso de Magalhães Barata, que promoveu por mérito todas as localidades que mais se desenvolviam naquela época.
    Infelizmente entre 1950 e 1980 nosso município sofreu um grande impacto em função de uma desqualificada política, que o fez estagnar e, ainda hoje se ressente dessa verdadeira catástrofe, caminhando a passos de cágado e perdendo cada vez mais competitividade entre os mais desenvolvidos da Região Metropolitana de Belém.  
    Como grandes vultos e eméritos defensores do nosso município podemos considerar além dos fundadores oficiais o casal Valentim José Ferreira e Izabel, o medico José da Matta Bacelar, Antonio Lemos, Antonio Pontes, João Casanova, João Coelho, Cícero Cavalcanti, Profª Petronila Monteiro, Ricardo Smith Hugues, Manoel Ernestino da Silva, Pergentino  Moura, Nestor Ferreira, os professores Guilherme e Lucimar Mártires, Mons. Geovanne Brocardo, Dr. Edilson Abreu, dentre outros.

                                                                                                                                                  -Orlando Lino


                                                                                                                                        

  
 

 

terça-feira, 9 de junho de 2020

STA. IZABEL DO PARÁ E A REVOLUÇÃO DE 1964

                                        Vista aérea de Sta. Izabel, trecho da Av. Generalíssimo Deodoro
 "A caravana comunista solicitou permissão para a realização da concentração nesta cidade. O delegado Salustiano negou. Escolheram o largo da Igreja Matriz, o monsenhor (Geovanne Broccardo) impediu. Dirigiram-se para a Praça da Estação Ferroviária, mais uma vez foram derrotados, porque o Prefeito Lacerda mandou desligar a corrente de energia elétrica. Sem condições os inimigos da Democracia debandaram sem conseguirem plantar a semente maldita no coração do povo izabelense.
    Os falsos izabelenses se insurgiram contra os defensores!
    Esses bravos corriam o risco de receberem, em revide, a ação nefasta dos comunistas.
    O povo brasileiro estava angustiado!
    Os três heróis estavam nessa situação, mas,não temiam as consequências caso o regime democrático caísse nas mãos amaldiçoadas dos seguidores do regime de Lenine.
    Mas,eis que surgiu no horizonte da Pátria as gloriosas Forças Armadas e erguendo as vitoriosas espadas mostrando ao inimigo que o verdadeiro brasileiro, "não foge a luta e nem teme a própria morte".
O inimigo foi dominado "e o sol da liberdade em raios fúlgidos, brilhou no céu da Pátria nesse instante".

Trecho do livro: História do Município de Sta. Izabel do Pará, dos insignes izabelenses, Nestor Ferreira e Pergentino Moura, pág. 226.

PS. -Se fosse nos tempos de hoje, esses defensores da moralidade e da Democracia, logo seriam alcunhados por alguns, de: bozos, bolsominions e outros impropérios.

  

  

terça-feira, 17 de março de 2020

REMINISCÊNCIAS DO FUTEBOL PARAENSE

 
    Os desportistas que vivenciaram o futebol nos idos da década de 50, por certo lembrarão de uma equipe como esta. Trata-se da Seleção Paraense formada apenas jogadores de Remo, Paysandu e Tuna, quando o Campeonato Brasileiro era disputado por representações estaduais.O Pará nesta formação tem oito atletas da terra e três que já eram radicados há muito tempo no nosso futebol. 
     Aqui uma página de um álbum de figurinhas que encantou a garotada da época (1956) e que eu e meu irmão não conseguimos (por pouco) preenchê-lo totalmente. 
    No período o nosso estado sagrou-se várias vezes Campeão do Norte, na foto representado pelo futebol de: Smith (goleiro,Remo), Manoel Pedro (Paysandu) e Gilvandro (baiano, Paysandu); Jambo (mineiro,Remo), Nonato (Tuna) e Biroba (Tuna); Teixeirinha(Tuna), Quiba (baiano,Remo), Sessenta (Remo), China (Tuna) e Jaime (Remo). Técnico: Euclides Nascimento, (o Marituba). 
 

domingo, 22 de setembro de 2019

QUEM FOI O CRAQUE


      Quem vê aquele cidadão quase todos os dias nas ruas da cidade, montando na sua inseparável "bycke", alto, cabelos totalmente esbranquiçados, jamais imagina que está diante de um dos maiores meias-direitas do futebol izabelense nos anos 50 e que tinha como características o passe na medida e a construção de jogadas, em alimentação à linha de ataque. Trata-se portanto de Augusto Lourenço Barros, ou como ele ficou conhecido no círculo futebolístico e fora dele, como o Ceará  -,pelo fato de ser alencarino de Fortaleza. Segundo ele, aos 16 anos ingressou na juvenil do Ceará Sporting, onde se tornou titular por algumas temporadas. No início dos anos 50 chegou em nossa cidade,gostou, e logo fora procurar se inscrever no Vermelhão da Estrada. Depois de alguns testes, conseguiu chegar à titularidade, formando numa linha de ataque onde pontificavam os craques:Bira,Orivaldo, Walter e Zico. Ceará lembra que foram alguns anos de glórias naquele time competitivo, que raras vezes era batido em seus domínios e que em várias ocasiões, contou com a participação daquele que mais tarde se transformaria no maior artilheiro do Botafogo( Rio), Waldir Lebrego (o Quarentinha). Dentre suas recordações ele falou sobre um torneio realizado na vizinha cidade de Castanhal que reuniu as equipes do Castanhal E.C. o Izabelense, o Moema (também do nosso município) e o Panther este, de nossa capital e que disputava o Campeonato Paraense de Futebol Profissional. No final ficaram o Izabelense e  Panther, que inclusive decidiram em pênaltis. Neste dia ele viu uma das maiores atuações do excelente arqueiro Quirica, que defendeu vários tiros penais e garantiu um lindo troféu, que foi entregue pela diretoria do clube castanhalense  -sendo que a torcida izabelense fora receber os craques em festa. Ele se mostra inclusive perplexo, ao ser informado que todo o acervo de troféus(que ele ajudou a conquistar) desapareceram, e não se sabe até hoje quem ficou ou foi responsável pelo dano. Comenta que naquela época se jogava "por amor à camisa" sendo o amadorismo na sua essência, muito diferente de hoje. Destacou além de Orivaldo, também o Caboclo Orlando, Pedro Brito, Jaú, Walter, Zico, dentre outros, que teve a satisfação de atuar nas quatro linhas e conquistar grandes triunfos, naqueles tempos memoráveis no Vermelhão. Ceará ainda nos adiantou que seus filhos chegaram a ter destaque em algumas agremiações locais. 
    Nosso entrevistado hoje aparentando quase 90 anos, leva uma vida calma e pacata no Bairro de São Raimundo em nossa cidade, onde é conhecido por muitos amigos como Seu Ceará.
   Aí portanto um pequeno histórico de um grande atleta do passado e que se o nosso querido Atlético Clube Izabelense hoje tivesse uma organização condizente com o seus quase 100 anos de existência, todos o reconheceriam pois trata-se de um ex-atleta que muito lutou pelas cores vermelha e branca. 
   Porém tenho orgulho de enaltecer sua dedicação e seu empenho, reconhecendo-o como digno de constar na GGAI-Galeria dos Grandes Atletas Izabelenses, que criei e continuo no firme propósito de mostrar e elevar os grandes esportistas do passado em nossa terra.

                                                                                                                   Por: Orlando Lino      

terça-feira, 17 de setembro de 2019

BAÚ DA BOLA

Para os desportistas mais novos, este foi um dos melhores pontas-esquerdas e depois meio campista que atuou no nosso futebol nos anos 60. Tr...