Seis anos depois (1622), o 7º Cap. do Grão Pará, Bento Maciel Parente, encarregou o mesmo alferes Pedro Teixeira, para executar a primeira roçagem de alargamento no referido varadouro afim de torná-lo mais transitável servindo de interligação entre as capitais de Belém e São Luis.
Após mais de dois séculos, em 1848, o Governo Imperial criava uma lei que visava a implantação de núcleos agrícolas, bem como, a introdução de colonos emigrantes na Região Nordeste do Pará afim de povoá-la e desenvolvê-la. Fora então contratado o agrimensor prático, Cap. José Valentim Ferreira para realizar nova limpeza no varadouro também conhecido como "de Bragança" ou ainda Caminho do Maranhão, quando este profissional realizou outros serviços como roçagem e construção de pontes.
Vinte e cinco anos depois, em 1873, o Ministério da Agricultura ordenava a criação do primeiro núcleo agrícola
na Província do Grão-Pará situado à cerca de 25 Km de Belém, hoje o município de Benevides. Fora contratada uma empresa de engenharia para executar os serviços, que subempreitou com o Cap. Valentim Ferreira, velho conhecedor da região, para medição da área e divisões de lotes. Valentim trouxe consigo sua companheira Izabel e vários trabalhadores braçais e no mesmo ano consegui demarcar 170 lotes, atingindo a 4ª Travessa denominada também de Uruburetama, que hoje serve de divisa entre o nosso município e o de Benevides. Em seguida foram demarcadas mais quatro travessas, atingindo-se à 8ª , denominada Mucuripe ( hoje conhecida como João Novo).
Como estratégia do projeto, deveriam ser povoados os locais onde existissem cursos d`água para comunicação e escoamento de toda a produção da referida colônia. Então Valentim escolheu a 6ª Travessa, denominada de Aratanha , onde estavam contidos os lotes 73, 74,75 e 76 e também os caudalosos igarapés do Prata e São Francisco. Acrescente-se que os núcleos agrícolas Ferreira Pena e Araripe que deram origem ao distrito de Americano, foram criados entre 1885 e 1889.
Enquanto Valentim se voltava à labuta diária na densa floresta, Izabel se dedicava à lida doméstica servindo aos trabalhadores em uma pequena casa de pasto (restaurante) ou tratando-os de lesões e ferimentos causados em acidentes de trabalho e doenças como malária e outras enfermidades, apenas com ervas e raízes da região (meizinhas) e seus pequenos conhecimentos de primeiros socorros.
Em 1875 assumia o governo da Província do Grão-Pará, o Dr. Francisco Maria Correia de Sá e Benevides e uma de suas principais metas era dar sequência aos trabalhos na aludida área colonial. Dentro de cinco meses foram alocados ali 180 emigrantes estrangeiros de nacionalidades: francesa,italiana, alemã, espanhola, belga etc... porém os resultados foram desanimadores, pois muitos não resistiram a luta em uma região até então inóspita e ainda selvagem, abandonaram seus lotes e passaram a residir na capital Belém. Mesmo assim muitos deixaram descendentes na região.
Dois anos depois o governo da Província,José Joaquim do Carmo, em convênio firmado com a Coroa, conseguiu introduzir 800 retirantes nordestinos da seca de 1877, e que aqui renovaram a esperança de nova vida. No ano seguinte chegavam mais 12 500 emigrantes todos ainda sob a coordenação de Valentim José Ferreira, no mesmo período foram realizados grandes melhoramentos na colônia como: abertura de estradas, derrubada de matas, construções de pontilhões e barracões, uma enfermaria dentre outras melhorias.
Conta-nos porém a história que Valentim a partir do ano de 1877 não foi mais contratado para executar serviços na Colônia Nossa Senhora de Benevides por motivos políticos, uma vez dispensado ,passou a trabalhar na EFB-Estrada de Ferro de Bragança, ora como encarregado,ora como empreiteiro, vindo a falecer pouco tempo depois. Quanto a sua companheira e heroína Izabel, teria vivido até por volta de 1894, com os parcos recursos do pequeno restaurante no mesmo local onde ajudou seu amado Valentim fundar o nosso município.
O nosso emérito historiador Nestor Ferreira, ainda chegou a sugerir a construção de um monumento em homenagem a este insigne casal, na Av. Matta Bacelar, bem em frente à Pass. Darlindo Correia (antigo Juruninha) e justamente na rua onde passava o Varadouro dos Índios Tupinambás.
Em 1881 a colônia sentiu um grande abalo, pois com a encampação da estradas de ferro Sobral-Baturité no Ceará, bem como, a abundância de chuvas no nordeste, levou cerca de um terço da população de agricultores a voltar às suas origens, em função inclusive de grandes oportunidades de emprego, levando o núcleo colonial a ser temporariamente desativado.
Em 1885 a Estrada de Ferro de Bragança alcançava o então povoado de Sta. Izabel, porém os poucos moradores desmotivados, não demonstraram muita alegria para festejar tão importante acontecimento na região.
Nova seca no nordeste entre 1888 e 1889 obrigou cerca de 3 840 retirantes a deixar suas terras e migrarem para o Pará, quando todos foram conduzidos à Colônia Nossa Senhora de Benevides que experimentou a partir dali um significativo progresso em função dos novos agricultores, mais experientes, já não plantavam apenas mandioca, arroz e milho, mas o feijão, o algodão e outras culturas.
Sta. Izabel enquanto Vila também estava inserida neste desenvolvimento, inclusive expandindo seu urbanismo com abertura de algumas novas ruas, possuía 30 estabelecimentos comerciais,14 engenhos e 5 serrarias a vapor. Por este motivo em 1934, foi elevada à condição de município, através de um Decreto do eminente Governador do Estado, Joaquim Cardoso de Magalhães Barata, que promoveu por mérito todas as localidades que mais se desenvolviam naquela época.
Infelizmente entre 1950 e 1980 nosso município sofreu um grande impacto em função de uma desqualificada política, que o fez estagnar e, ainda hoje se ressente dessa verdadeira catástrofe, caminhando a passos de cágado e perdendo cada vez mais competitividade entre os mais desenvolvidos da Região Metropolitana de Belém.
Como grandes vultos e eméritos defensores do nosso município podemos considerar além dos fundadores oficiais o casal Valentim José Ferreira e Izabel, o medico José da Matta Bacelar, Antonio Lemos, Antonio Pontes, João Casanova, João Coelho, Cícero Cavalcanti, Profª Petronila Monteiro, Ricardo Smith Hugues, Manoel Ernestino da Silva, Pergentino Moura, Nestor Ferreira, os professores Guilherme e Lucimar Mártires, Mons. Geovanne Brocardo, Dr. Edilson Abreu, dentre outros.
-Orlando Lino