Para os desportistas mais novos, este foi um dos melhores pontas-esquerdas e depois meio campista que atuou no nosso futebol nos anos 60. Trata-se do marapaniense de Maú, cujo nome verdadeiro é Raimundo Fernandes da Silva e que aqui ficou conhecido como o craque Pipio. Antes de bater com os costados em terras izabelenses, ele atuou em nossa capital pelo Agronômico do Norte (amador), Grêmio Desportivo Combatentes e Yamada Clube que disputavam o Campeonato Profissional Paraense e, que sempre "aprontavam" contra os grandes de Belém. Pipio por aqui chegou por volta de 62 onde constituiu família. Logo ao chegar apresentou-se no Abreuzão para treinamentos e logo entrou de cara na equipe, pois o clube necessitava de um ponteiro-canhoto, posição onde atuou por algum tempo. Mas tarde passou a praticar seu excelente futebol na meia cancha do Frangão ao lado do saudoso Osvaldino, constituindo-se um dos melhores setores de armação do clube por vários anos. Pipio tinha como características, a precisão do passe, a armação de jogadas, a cadência e serenidade no trato com a bola e uma excelente disciplina. Depois de várias atuações pelo nosso querido Vermelhão da Estrada, com muitos torneios e campeonatos vencidos, ele era relacionado entre aqueles que defenderiam a primeira Seleção Municipal em 1964, quando a liga local denominava-se ainda LAI (Liga Atlética Izabelense). Foi peça fundamental quando naquele ano nosso selecionado eliminou concorrentes de peso como Soure e Barcarena e ainda chegou às Quartas de Final. Em seguida continuou no Vermelhão da Estrada, conquistando vários campeonatos locais. - inclusive ele fora figura de destaque na conquista do primeiro Torneio Interclubes, realizado pela então FPD-Federação Paraense de Desportos, denominado "Torneio Luiz Lavareda Reis", sendo o primeiro título intermunicipal de futebol para Sta. Izabel. Pipio ainda atuou no Iza até por volta de 1968, quando aposentou as chuteiras e pouco tempo depois voltava para sua terra natal, Maú, onde vive de um comércio, e lá estive há cerca de 8 anos atrás levando-lhe meu abraço e um exemplar do livro " Izabelense-92 Anos" de minha autoria e também quando tive a satisfação de vê-lo bem, com saúde - e na naquela oportunidade conversamos bastante sobre nossas atuações no futebol de nossa terra. São portanto esses detalhes que nos fazem lembrar com muitas saudades, daquele tempo onde se praticava o futebol amador, onde explorávamos o melhor do nosso vigor físico, derramando suor, cuja recompensa era o grito e o aplauso da galera, o abraço do companheiro e a certeza do dever cumprido.
Continuo dizendo: é uma pena ver o nosso Vermelhão da Estrada, ainda sem conseguir se organizar enquanto uma grande agremiação esportiva, apesar dos seus já quase seus 100 anos de glórias e inúmeros triunfos , não possuindo sequer uma sede para que nela estejam registradas todas as façanhas que vários atletas proporcionaram ao longo do tempo a este maravilhoso Clube, com fotos e documentos vários, e onde se possa reunir com alegria o passado, o presente e o futuro.
Aliás todo clube que se preza faz assim.
-Orlando Lino