Embora sem ter a pretensão de mudar o mundo, nem o intento de professorar meus semelhantes, acredito que se não podemos mudá-lo, pelo menos podemos torná-lo mais respirável, senão humanitário evitando-se um desfecho pior.
Quando se passa dos 70 e olha-se para baixo, vê-se que cada degrau representaria um ano percorrido, e neles ficaram gravados estágios de nossa história, aliás uma história única e sem direito a replay.
Obviamente que cada indivíduo é o ator principal de sua trajetória nesse plano terrestre e embora algumas histórias se confundam em determinados aspectos, a nossa é única, e própria, isto é, ninguém pode nos roubar essa identidade. A esta altura da caminhada, a mente nos permite reprisar algo como se fosse um filme de 70 capítulos, que fazemos parte ora como protagonistas ,ora como coadjuvantes, pois o homem não foi criado para o individualismo e nem tampouco para o seu fechamento interior (hermetismo) - todos necessitamos do calor e do apoio do semelhante. Um abraço fraterno, um aperto de mão, um ósculo paternal ou fraterno, tudo pode diluir qualquer resquício de ódio em um coração chamejante de vingança ou desespero. Ao completarmos sete décadas, muitos de nós já alcançou e viu florescer a sua terceira geração,isto é, filhos, netos, bisnetos e aí é que nos damos conta de como fomos úteis à perenização da espécie humana, logo fomos alguém que deixou sua existência gravada no livro de sua tão longa história. Em nossa existência sempre teremos os inesquecíveis momentos de ganhos e venturas, mais infelizmente, temos que nos conformar com outros não tanto agradáveis, os revezes e desventuras, quando nos separamos de alguém, de um ente querido ou de um verdadeiro amigo pelos desígnios de Deus ou outro motivo. Mesmo assim temos que olhar em frente, mesmo que o peso da idade nos obrigue à passadas mais lentas e articuladas, temos que reunir forças e seguir a vida, pois nossa história é mais um livro,que um dia será contada por alguém e, este livro configura-se como a nossa história aberta, a verdadeira identidade de um ser humano, que pelo menos lutou e optou pelo caminho para ser humano.
Obs.:Redigi este texto em 20 de fevereiro de 2014, justamente quando entrava na faixa dos setentões (foto), porém resolvi publicá-lo hoje apesar do prazo vencido, porém ainda com validade de leitura. Com um abraço do Orlando Lino.

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