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| Jaú em plena atividade nos anos 60 |
Estávamos nos 40 e o Izabelense que sempre mantinha um equipe (apesar de amadora) mas à altura de suas tradições, perdia o concurso de um de seus melhores centromédios que era Pedro Brito (ou Pedro Maçã), que deixara nossa cidade e passara a residir em nossa Capital. Pouco tempo depois chegava ao velho estádio do Vermelhão um mulato de aproximadamente 1,85m de altura, físico atlético, estatura tal, que lhe dava nítida vantagem no corpo a corpo e nas bolas lançadas à sua área, além de vigilante e combatente no seu setor de retaguarda. Tratava-se de Raimundo Cosme da Silva, ou simplesmente Jaú, que logo habilitou-se a tomar conta da posição que na época usava-se o termo inglês "center-half". Em pouco tempo, logo familiarizou-se com seus novos companheiros e passou a formar um trio intermediário que se completava com Major pela ala direita e Milton pela esquerda, numa época da marcação individual o 2-3-5. Jaú que se dizia cearense de nascimento, veio de nossa Capital onde residiu por algum tempo, chegando a atuar no São Joaquim, conhecida agremiação do Bairro da Marambaia, pela qual disputou o brilhante e concorridíssimo Campeonato Suburbano, na época. Presumivelmente, foi na terrinha que constituiu família e onde nasceram seus herdeiros. Ele servia ainda ao Exército Brasileiro quando sofreu um grave acidente ao cair de um bonde, perdendo cerca de 50% de seu membro superior esquerdo, fato aliás que não o demoveu e nunca o desmotivou de praticar futebol, esporte que se constituía como um de seus prediletos. No Vermelhão disputou partidas memoráveis sendo um dos integrantes da famosa esquadra "Orivaldo & Companhia daquela áurea década. Fora também um dos mais longevos atletas a vestir o manto Vermelho e Branco, juntamente com outra lenda,Caboclo Orlando, que conseguiram atuar no Frangão da Estrada até os anos 60. Ao longo da carreira ajudou o Clube a arrebatar inúmeros troféus, entre torneios,festivais e outras competições.Uma das passagens interessantes de sua carreira, aconteceu quando Izabelense fora fora convidado gentilmente para realizar um jogo-treino contra o Selecionado de Castanhal que se preparava para disputar o Cetro Intermunicipal de 1963. Sempre expontâneo e brincalhão, Jaú como um dos mais experientes do grupo e vendo a rapaziada meio que temerosa em enfrentar uma Seleção e ainda por cima no campo adversário, receava uma goleada. Foi aí que ainda na viagem, com sua veia extrovertida, levantou a moral dos novatos, dizendo: -Vocês estão com medo de quê? Nosso time é bom, nós vamos ganhar de goleada e eu ainda vou sentar na bola ! Dito e feito: o jogo no primeiro tempo estava 3 a 0 para nós e ele cumpriu o prometido, quando depois de colocarmos o time deles na roda (como se dizia na época) lhe passaram uma bola no centro do campo e ele sentou-se na pelota, para a ira e decepção da torcida castanhalense, que antes tinham nos recebido com apupos e menosprezo. Jaú por pouco não chegou a defender nossa Seleção Municipal, pois teve que parar já com cerca de 45 anos, porém futebol ele possuia de sobra. Nas quatro linhas, durante sua brilhante carreira, se portava como um líder ou um leão indomável.
Teria eu muitos tópicos para falar sobre este grande atleta que foi Jaú, pois tive , como muitos outros colegas, o privilégio de atuar com ele por alguns anos, podendo testemunhar o seu valor e sua contribuição expontânea que deu ao nosso futebol. Pena que o nosso velho Clube, com uma organização, que ainda deixa muito a desejar, não preza e nem toma conhecimento daqueles que deram o seu suor para que ele sempre fosse respeitado em qualquer situação que se apresentasse.
Mesmo assim, craques como estes, sempre serão lembrados na Galeria dos Grandes Atletas do Futebol Izabelense, enquanto existirem os remanescentes testemunhos, de uma época de ouro..
-Por, Orlando Lino

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