terça-feira, 6 de novembro de 2018
MEUS PEQUENOS INQUILINOS
No meio da azáfama cotidiana, às vezes nos deparamos com momentos ternos que nos levam a parar e repensar as coisas simples que nos cercam e que nos ensina a natureza.
Há cerca de três semanas atrás, ao executar tarefas no jardim de casa, percebi que um sabiá adulto volta e meia dava seus voos rasantes e logo pousava na parte frontal de casa embaixo do beiral. Ao verificar melhor, ele (o sabiá) depois de assentar em um abajur de iluminação elétrica, eis que apareceram três pescocinhos e bicos famintos, piando e reclamando possivelmente a alimentação matinal à mamãe sabiá. Há cada cinco minutos os filhotes se alvoroçavam à chegada do novo petisco e logo se acomodavam ao serem satisfeitos, um de cada vez. Mas tarde aproveitando a deixa do passarinho adulto e com auxílio de uma escada, resolvi conferir bem de perto e registrar aquela interessante maneira de nascer e viver, dentro de um ponto de iluminação, mal acomodados mas ao que parece, mais seguros dos predadores,dentro do improvisado abajur-ninho -,que há muito tempo eu tinha desativado em função de interferir na imagem da câmera de segurança. Creio que aquele trio de animalzinhos contavam uns10 dias de nascidos,visto que, seus longos pescocinhos não tinham sequer um fio de penugem. Durante os dias seguintes passei a ter os cuidados de um verdadeiro veterinário a vigiá-los constantemente, motivado pelo barulho da descarga de motos ou outros veículos, buzinas estridentes e até pássaros reconhecidamente destruidores. Mesmo porque se dali caíssem (como tem acontecido com outros passarinhos no quintal), poderiam machucar-se na área cimentada. Todas as manhãs me volto para os meus novos e dóceis inquilinos e eles quando não estão dormindo, lançam-me lá do alto um olhar fraterno e logo abrem o bico parecendo solicitar um novo repasto diário ou me dando bom-dia, sabe lá. Creio que eles agora já estão com 1 mês de nascidos aproximadamente, pois já se verifica bastante penugem nas asas e me parecem bem nutridos e sadios. Tal bebezinhos, só acordam para comer nas horas certas, a alimentação que lhe é servida pontualmente, às 7, 12 e18h impreterivelmente, quando já à noitinha, mamãe sabiá deita sobre seus pequerruchos os acalenta e dormem angelicalmente..
Mesmo com a pouca convivência, já penso no dia em que ao acordar e não vê-los mais no exótico e privilegiado ninho de vidro, com direito à vista para a avenida. Creio que apesar de tão pouco tempo, me baterá e apertará a malvada saudade. De outra maneira, posso até me sentir alegre, pois tenho quase a certeza de que eles ficarão morando ainda no meu quintal agora, entre o arvoredo, e como muitos outros lindos e abençoados passarinhos, deverão ser os novos tenores a alegrar e anunciar o alvorecer de um novo dia, onde esse velho e calejado escriba acorda normalmente às cinco da matinha, ao som mavioso dessa orquestra dos meus queridos inquilinos, os sabiás, os bem-te-vis, os sanhaçus e uma infinita galera a bem gorgear.
Não creio que exista uma sinfonia tão afinada e tão bem coordenada em todo o mundo.
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