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| Colégio Antonio Lemo, relíquia inaproveitada |
Os anos se passam e a sensação que se tem é de um município movendo-se sobre uma grande esteira rolante, que não lhe permite avançar. É verdade que se diga que já estivemos em situações bem mais delicadas, quando o município andou beirando à insolvência ou ao caos generalizado, sempre em função da incongruência política. Chegamos portanto há oito décadas e meia de emancipação, sem no entanto conseguirmos nos libertar das amarras do passado, onde se tentava dirigir o município de forma isolada e internamente. Os anos porém se encarregam de expor o crasso engano, mostrando que 80 anos depois, se continuarmos com o mesmo pensamento administrativo, iremos estagnar ou o que é pior, retroceder no tempo e no espaço. Significa dizer que durante todo esse período trabalhou-se com um sistema político meramente ultrapassado, onde as administrações assumem a condição de apenas gerenciar o que lhe cai às mãos, isto é, sem se preocupar em reprogramar-se criando novas fontes de produtividade, o que encerraria logicamente mais rentabilidade ao erário. À partir dessa falta de visão mais ampla, é que vão se acumulando inúmeros problemas e que juntos, fazem com que a máquina emperre, causando por conseguinte, o marcar passo do município.
As gestões por excelência, se alternam entre médias e caóticas. No primeiro caso, deixam pelo menos as finanças saneadas, portanto sem muitas complicações ao sucessor ; já no segundo, excedem-se em gastos mirabolantes que obriga o novo gestor a contorcionismos e virações, gastando às vezes dois anos de seu mandato para tentar um aparente reequilíbrio das contas. Como via de regra, os mais "prudentes", preocupam-se mais em não piorar, evitando um possível caos administrativo, do que partir para uma administração mais ousada e bem planejada onde a meta principal e única seria o fortalecimento do município social e economicamente. E assim, nessa dualidade de receio e incapacidade de buscar novos empreendimentos, os anos vão passando e o município perdendo cada vez mais competitividade, afastando-se constantemente das aspirações do seu povo, que é viver em um lugar que lhe ofereça pelo menos cinco condições básicas de sobrevivência : emprego, saúde, educação, segurança e lazer. Na educação principalmente, ao invés de pugnar-se para elevar o município como um grande polo da ciência e do saber, principalmente por já termos uma instituição como o Colégio Antonio Lemos, eis que surge a estranha e incabível ideia de desvirtuar a sua verdadeira função que sempre foi, uma fonte e orgulho de todos nós izabelenses no campo do saber, transformando-o numa área meramente administrativa. Não se sabe porém, se todos os verdadeiros filhos desse torrão, concordariam com tamanho disparate. Comprova-se isto quando se vê municípios vizinhos valorizando o ensino cada vez mais e transformando antigos prédios em estabelecimentos de cursos superiores, como o caso de Castanhal, Bragança, Vigia e inúmeros outros,que com esforço e dedicação conseguiram instalar campus da UFPa e da UEPa e até faculdades particulares em seus territórios.
Comprova-se tudo isto, olhando-se o panorama crítico da Educação municipal neste aspecto e que infelizmente é fruto de anos e anos de letargia e descaso nos arraias políticos de nossa terra.

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